O uso da água reciclada tem grande potencial de levar mais sustentabilidade ao campo. O setor sucroenergético é um ótimo exemplo disso. Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos (SNIRH), que servem de base ao relatório anual da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) revelaram que cerca de 3 milhões de hectares de cultivo da cana já são fertirrigados exclusivamente com água de reúso, um recorde no Brasil, tanto em volume quanto em área abrangida.
São fortes os investimentos desse setor no reaproveitamento dos efluentes resultantes do processamento da cana na produção de produtos como o açúcar e o etanol. Especialmente a vinhaça.
Levantamento da CONAB - Companhia Nacional de Abastecimento, também citado no relatório da ANA, mostra que apenas na safra da cana de 2023/2024, o Brasil produziu 29,7 bilhões de litros de etanol. Como cada litro de etanol gera cerca de 12 litros de vinhaça, pode-se estimar que mais de 356 bilhões de litros desse efluente foram gerados, em boa parte reaproveitado nas lavouras.
A legislação brasileira que trata do uso da água reciclada na agricultura, a partir de normas da ABNT, define com clareza os padrões de tratamento, sendo essencial para garantir a qualidade e eficiência da irrigação e a segurança sanitária. Alguns estados também possuem legislação própria, frequentemente mais restritiva ou detalhada para o reúso agrícola, vetando, por exemplo, o uso em produtos de consumo direto, como verduras e determinadas frutas.
Práticas como essas, não apenas aumentam a produtividade agrícola, mas também promovem a sustentabilidade e contribuem para a segurança hídrica e alimentar de toda a população em ambientes cada vez mais ameaçados pelas mudanças climáticas, poluição e crescimento populacional com consumo desordenado.